Capítulo 3 Pensamento causal


3.1 Causalidade


3.1.1 O que causalidade?


3.1.2 Quais os dois grandes tipos de causalidade?

  • Baseada em experiência: conhecimento empírico, muitas vezes sem compreensão dos mecanismos. Estatística tem papel central na causalidade baseada em experiência.49

  • Mecanicista: busca entender processos internos e mecanismos. Estatística tem seu papel ainda limitado, mas crescente, especialmente em sistemas complexos.49


3.2 Abordagens filosóficas e estatísticas da causalidade


3.2.1 O que é realidade causal?

  • A estatística assume tanto a presença do acaso quanto de causalidade. Entretanto, a natureza de cada um (se essencial ou apenas reflexo de ignorância) é raramente debatida.49


3.2.2 Por que estatísticos historicamente evitaram falar em causalidade?

  • Pearson e Fisher defenderam que estatística trata apenas de associação, não de causalidade, o que gerou cautela excessiva e paralisou avanços em áreas como economia e ciências sociais.49

  • Autores como Judea Pearl, Robins e Rubin trouxeram definições mais precisas, especialmente via modelos contrafactuais.49

  • O uso de ensaios clínicos aleatorizados consolidou o papel da estatística em inferência causal aplicada.49


3.3 Ilusões de causalidade


3.3.1 O que são ilusões de causalidade?

  • Ocorrem quando acreditamos que há uma relação causal entre dois eventos que, na realidade, são independentes. São comuns em superstições, pseudociências e crenças do cotidiano.50


3.3.2 Quais fatores favorecem a ilusão?

  • Alta frequência do desfecho: quando o resultado ocorre frequentemente por acaso, as pessoas superestimam a eficácia da causa (ex.: melhora espontânea de sintomas atribuída a um tratamento).50

  • Alta frequência da causa: quanto mais vezes um comportamento ou tratamento é aplicado, mais coincidências com o desfecho ocorrem, aumentando a crença no efeito.50

  • Coincidências causa–desfecho: damos peso desproporcional a casos em que causa e efeito ocorrem juntos, mesmo que sejam apenas coincidências.50


3.3.3 Como reduzir ilusões de causalidade?

  • Ensinar princípios de controle científico, observando casos em que a causa está ausente (comparação necessária para detectar ausência de relação).50

  • Diminuir a frequência da causa (ex.: reduzir uso de um “remédio ineficaz” ajuda a perceber que o resultado ocorre independentemente).50

  • Instruções explícitas para testar hipóteses: orientar a aplicar a causa em apenas 50% das vezes favorece a detecção correta da ausência de efeito.50

  • Promover educação científica prática, mostrando às pessoas como seus próprios julgamentos podem ser enviesados e oferecendo ferramentas para avaliação crítica.50


3.4 O papel do tempo e a causalidade dinâmica


3.4.1 O que é causalidade de Granger?

  • É um conceito estatístico que analisa como processos passados influenciam o futuro, indo além da simples associação.49

  • Permite identificar relações direcionais entre processos ao longo do tempo (ex.: cérebro controlando contrações musculares).49

  • A estatística, nesse contexto, busca “olhar dentro da caixa”, aproximando-se de uma visão mecanicista.49


3.4.2 Por que o tempo é essencial na análise causal?

  • Processos causais não ocorrem de forma estática: efeitos diretos e indiretos se acumulam em cadeias temporais.49

  • Modelos tradicionais (ex.: regressões estáticas ou DAGs sem tempo) podem falhar em capturar a dinâmica.49

  • A integração de séries temporais e processos estocásticos é fundamental para compreender mecanismos.49



Citar como:
Ferreira, Arthur de Sá. Ciência com R: Perguntas e respostas para pesquisadores e analistas de dados. Rio de Janeiro: 1a edição,


Referências

49.
AALEN OO, FRIGESSI A. What can Statistics Contribute to a Causal Understanding? Scandinavian Journal of Statistics. 2007;34(1):155–168. doi:10.1111/j.1467-9469.2006.00549.x
50.
Matute H, Blanco F, Yarritu I, Díaz-Lago M, Vadillo MA, Barberia I. Illusions of causality: how they bias our everyday thinking and how they could be reduced. Frontiers in Psychology. 2015;6. doi:10.3389/fpsyg.2015.00888