Capítulo 66 Tabelas
66.1 Tabelas
66.1.1 Por que usar tabelas?
- Tabelas complementam o texto (e vice-versa), e podem apresentar os dados de modo mais acessível e informativo.553
66.1.2 Que informações incluir nas tabelas?
- Título ou legenda, uma síntese descritiva (geralmente por meio de parâmetros descritivos), intervalos de confiança e/ou P-valores conforme necessário para adequada interpretação.553,554
66.1.3 Quais são os tipos de tabelas?
Tabela de frequência: apresenta a quantidade de ocorrências (frequência absoluta e relativa) de cada categoria de uma variável; usada com variáveis qualitativas ou quantitativas discretas.REF?
Tabela de frequência agrupada: organiza dados contínuos em intervalos de classe (ex: faixas etárias) e mostra as frequências correspondentes.REF?
Tabela de contingência (ou tabela cruzada): cruza duas variáveis categóricas, permitindo observar possíveis associações entre elas.REF?
Tabela de medidas descritivas: resume variáveis quantitativas com estatísticas como média, mediana, desvio-padrão, mínimo, máximo e quartis.REF?
Tabela de comparação entre grupos: apresenta médias, desvios-padrão e ocasionalmente resultados de testes de inferência estatística para comparar dois ou mais grupos.REF?
Tabela de resultados de testes estatísticos: exibe valores de estatísticas de teste , P valores e intervalos de confiança; usada para mostrar inferências.REF?
Tabela de regressão (ou de modelos estatísticos): mostra os coeficientes de regressão, erros padrão, intervalos de confiança e P valores para cada variável de um modelo.REF?
Tabela de séries temporais ou longitudinais: organiza dados medidos em diferentes momentos no tempo, permitindo visualizar tendências ou variações longitudinais.REF?
O pacote gtsummary320 fornece a função tbl_summary para construção da ‘Tabela 1’ com dados descritivos.
O pacote flextable556 fornece as funções flextable, as_flextable e save_as_docx para criar e salvar tabelas formatadas em DOCX.
O pacote rempsyc557 fornece a função nice_table para criar tabelas formatadas.
66.1.4 Quais são os erros mais comuns de preenchimento de tabelas?
Erros tipográficos.558
Ausência de rótulos ou unidades nas variáveis.558
Relatar estatísticas incorretamente, tais como rotular variáveis contínuas como porcentagens.558
Estatísticas descritivas de tendência central (ex.: médias) relatadas sem a estatística de dispersão correspondente (ex.: desvio-padrão).558
Desvio-padrão nulo (\(\sigma=0\)).558
Valores porcentuais que não correspondem ao numerador dividido pelo denominador.558
66.2 Tabela 1
66.2.1 O que é a ‘Tabela 1’?
- A ‘Tabela 1’ descreve as características demográficas, sociais e clínicas da amostra, completa ou agrupada por algum fator, geralmente por meio de parâmetros de tendência central e dispersão.454,488
66.2.2 Qual a utilidade da ‘Tabela 1’?
Descrever (conhecer) as características da amostra e dos grupos sendo comparados, quando aplicável.488
Verificar aderência ao protocolo do estudo, incluindo critérios de inclusão/exclusão, tamanho da amostra e perdas amostrais.488
Permitir a replicação do estudo.488
Meta-analisar os dados junto a estudos similares.488
Avaliar a generalização (validade externa) das conclusões do estudo.488
66.2.3 O que é a falácia da ‘Tabela 1’?
Falácia da Tabela 1 ocorre pela interpretação errônea dos P-valores na comparação entre grupos, na linha de base, de um ensaio clínico aleatorizado.493
Não interprete P da linha de base em ensaios clínicos como “desequilíbrio” (falácia da Tabela 1). Mantenha P-valor apenas como descritivo (ou omita), enfatizando desenho e aleatorização.240
66.2.4 Como construir a ‘Tabela 1’?
- A Tabela 1 geralmente é utilizada para descrever as características da amostra estudada, possibilitando a análise de ameaças à validade interna e/ou externa ao estudo.270,544
O pacote gtsummary320 fornece a função tbl_summary para construção da ‘Tabela 1’ com dados descritivos.
| Características | N | Controle N = 1031 |
Intervenção N = 971 |
Valor-p2 |
|---|---|---|---|---|
| Sexo | 200 | 0.060 | ||
| F | 49 (48%) | 59 (61%) | ||
| M | 54 (52%) | 38 (39%) | ||
| Idade | 200 | 0.8 | ||
| Média (Desvio Padrão) | 61 (12) | 60 (12) | ||
| Mediana [Q1, Q3] | 61 [53, 69] | 60 [53, 69] | ||
| IMC | 200 | 0.2 | ||
| Média (Desvio Padrão) | 26.8 (3.7) | 27.5 (4.0) | ||
| Mediana [Q1, Q3] | 26.6 [24.5, 29.7] | 27.6 [25.6, 29.9] | ||
| 1 n (%) | ||||
| 2 Teste qui-quadrado de independência; Teste de soma de postos de Wilcoxon | ||||
66.3 Tabela 2
66.3.1 Qual a utilidade da ‘Tabela 2’?
- A Tabela 2 mostra associações ajustadas multivariadas com o resultado para variáveis resumidas na Tabela 1.454
66.3.2 O que é a falácia da ‘Tabela 2’?
A Tabela 2 pode induzir ao erro de interpretação pelas estimativas de efeitos para covariáveis do modelo também serem utilizados para controlar a confusão da exposição.318,454
Ao apresentar estimativas de efeito ajustadas para covariáveis juntamente com a estimativa de efeito ajustada para a exposição primária, a Tabela 2 sugere implicitamente que todas estas estimativas podem ser interpretadas de forma semelhante, se não de forma idêntica, como estimativa do efeito total.318,454
A falácia da Tabela 2 pode ser evitada limitando-se a tabela a estimativas das medidas primárias do efeito de exposição nos diferentes modelos, com as covariáveis secundárias de “ajuste” relatadas em uma nota de rodapé, juntamente com a forma como foram categorizadas ou modeladas.454
| Características |
Sem ajuste
|
Ajustado
|
||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| OR | 95% IC | Valor-p | OR | 95% IC | Valor-p | |
| Grupo | ||||||
| Controle | — | — | — | — | ||
| Intervenção | 1.71 | 0.98, 3.02 | 0.061 | 1.70 | 0.97, 3.03 | 0.067 |
| Idade | 1.02 | 1.00, 1.05 | 0.087 | |||
| IMC | 1.05 | 0.97, 1.13 | 0.2 | |||
| Abreviações: IC = Intervalo de Confiança, OR = Razão de chances | ||||||
66.3.3 Como construir a ‘Tabela 2’?
- A Tabela 2 pode ser utilizada para apresentar estimativas de múltiplos efeitos ajustados de um mesmo modelo estatístico.454
| Características |
Sem ajuste
|
Ajustado
|
||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| OR | 95% IC | Valor-p | OR | 95% IC | Valor-p | |
| Grupo | ||||||
| Controle | — | — | — | — | ||
| Intervenção | 1.71 | 0.98, 3.02 | 0.061 | 1.70 | 0.97, 3.03 | 0.067 |
| Abreviações: IC = Intervalo de Confiança, OR = Razão de chances | ||||||
| Nota. Modelo ajustado por Idade (contínua) e IMC (contínuo). Covariáveis são usadas apenas para controle de confusão e não devem ser interpretadas como efeitos causais (Falácia da Tabela 2). | ||||||
O pacote gtsummary320 fornece a função tbl_summary para construção da ‘Tabela 1’ com dados descritivos.
Ferreira, Arthur de Sá. Ciência com R: Perguntas e respostas para pesquisadores e analistas de dados. Rio de Janeiro: 1a edição,