Capítulo 32 Modelagem estrutural


32.1 Modelos estruturais


32.1.1 O que é modelagem de equações estruturais (SEM)?

  • A modelagem de equações estruturais (structural equation nodelling, SEM) é uma técnica multivariada utilizada para testar e avaliar relações causais diretas e indiretas previamente especificadas entre múltiplas variáveis.354

  • A modelagem de equações estruturais integra análise fatorial confirmatória e análise de caminhos em um único arcabouço estatístico.354


32.1.2 Em que a SEM difere de outras abordagens estatísticas?

  • Diferentemente de modelos tradicionais, a SEM permite testar efeitos diretos e indiretos simultaneamente dentro de um sistema de relações causais hipotéticas.354

  • A SEM combina modelo de mensuração (variáveis latentes) e modelo estrutural (relações causais entre variáveis).354


32.2 Variáveis latentes


32.2.1 O que é uma variável latente?

  • Variável latente é um construto não observado diretamente, estimado a partir de indicadores observáveis correlacionados.354

  • Variáveis latentes representam construtos teóricos inferidos a partir de padrões de covariância entre indicadores observáveis.355

  • A identificação estatística de variáveis latentes não implica necessariamente a existência de uma entidade causal subjacente independente.355


32.2.2 O que é análise fatorial confirmatória (CFA)?

  • A análise fatorial confirmatória é o método usado na SEM para estimar variáveis latentes com base em conhecimento teórico prévio sobre seus indicadores.354

  • Diferentemente da análise fatorial exploratória, a CFA exige especificação prévia das relações entre construto e indicadores.354


32.3 Aplicações avançadas


32.3.1 O que é modelo de curva de crescimento latente (LGC)?

  • O modelo de curva de crescimento latente é uma extensão da SEM usada para analisar dados longitudinais, modelando trajetórias de crescimento ao longo do tempo.354

  • O modelo LGC permite estimar inclinações e interceptos como variáveis latentes representando mudanças temporais.354


32.3.2 O que é SEM Bayesiana?

  • A SEM Bayesiana (BSEM) incorpora distribuições a priori e atualiza parâmetros por meio de inferência Bayesiana, sendo particularmente útil em amostras pequenas.354

  • Sua avaliação de modelo baseia-se em comparação Bayesiana e verificação preditiva posterior, em vez de índices clássicos como \(\chi^2\) ou RMSEA.354


32.3.3 O que é PLS-SEM?

  • A PLS-SEM (Partial Least Squares SEM) é uma abordagem orientada à maximização da variância explicada, adequada quando há pouca fundamentação teórica ou amostras pequenas.354

  • A PLS-SEM não exige normalidade multivariada nem grandes tamanhos amostrais.354


32.3.4 O que caracteriza a PLS-SEM dentro da família da SEM?

  • A PLS-SEM é uma abordagem de modelagem estrutural orientada à predição, cujo objetivo principal é maximizar a variância explicada das variáveis dependentes.356

  • Diferentemente da SEM baseada em covariância (CB-SEM), que tem foco confirmatório, a PLS-SEM é classificada como uma técnica causal-preditiva.356

  • A distinção entre modelos orientados à confirmação estrutural (CB-SEM) e modelos orientados à predição (PLS-SEM) dialoga com críticas recentes que defendem maior ênfase na utilidade preditiva em vez da busca exclusiva por estrutura latente pura.355


32.3.5 Quando a PLS-SEM deve ser considerada?

  • Quando o objetivo do estudo é predição e identificação de construtos com maior impacto explicativo.356

  • Em contextos com modelos complexos, múltiplos construtos e interesse em maximizar \(R^2\).356

  • Em pesquisas com fundamentação teórica ainda em consolidação.356

  • Em situações de amostras moderadas ou pequenas, desde que respeitadas recomendações mínimas de poder estatístico.356


32.4 Ajuste e avaliação do modelo


32.4.1 Quais são os principais índices de ajuste em SEM?

  • O teste qui-quadrado \(\chi^2\) avalia discrepância entre matriz observada e matriz reproduzida pelo modelo.354

  • RMSEA e SRMR medem erro de aproximação, sendo valores baixos indicativos de melhor ajuste.354

  • CFI e TLI avaliam ajuste comparativo, sendo valores próximos de 0,95 considerados desejáveis.354

  • AIC e BIC são usados para comparação entre modelos concorrentes.354

  • Índices globais de ajuste, embora úteis, não garantem validade teórica nem utilidade prática do modelo.355

  • Ajustes elevados podem refletir adequação matemática sem necessariamente traduzir relevância.355


32.5 Problemas comuns na aplicação de SEM


32.5.1 Quais são problemas frequentes na aplicação de SEM?

  • Falta de justificativa teórica para relações causais especificadas.354

  • Ausência de explicação adequada das variáveis latentes.354

  • Não relato de coeficientes, erros padrão ou valores de \(R^2\).354

  • Falta de justificativa do tamanho amostral.354

  • Ausência de validação do modelo.354


32.5.2 Por que a especificação do modelo é crítica em SEM?

  • Porque relações causais devem ser fundamentadas teoricamente, incluindo imposição explícita de coeficientes nulos ou covariâncias nulas quando apropriado.354

  • A inclusão de covariâncias não justificadas pode artificialmente melhorar índices de ajuste sem suporte teórico.354




Citar como:
Ferreira, Arthur de Sá. Ciência com R: Perguntas e respostas para pesquisadores e analistas de dados. Rio de Janeiro: 1a edição,


Referências

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Fan Y, Chen J, Shirkey G, et al. Applications of structural equation modeling (SEM) in ecological studies: an updated review. Ecological Processes. 2016;5(1). doi:10.1186/s13717-016-0063-3
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