Capítulo 37 Modelagem estrutural
37.1 Modelos estruturais
37.1.1 O que é modelagem de equações estruturais (SEM)?
A modelagem de equações estruturais (structural equation nodelling, SEM) é uma técnica multivariada utilizada para testar e avaliar relações causais diretas e indiretas previamente especificadas entre múltiplas variáveis.348
A modelagem de equações estruturais integra análise fatorial confirmatória e análise de caminhos em um único arcabouço estatístico.348
37.1.2 Em que a SEM difere de outras abordagens estatísticas?
Diferentemente de modelos tradicionais, a SEM permite testar efeitos diretos e indiretos simultaneamente dentro de um sistema de relações causais hipotéticas.348
A SEM combina modelo de mensuração (variáveis latentes) e modelo estrutural (relações causais entre variáveis).348
37.2 Variáveis latentes
37.2.1 O que é uma variável latente?
Variável latente é um construto não observado diretamente, estimado a partir de indicadores observáveis correlacionados.348
Variáveis latentes representam construtos teóricos inferidos a partir de padrões de covariância entre indicadores observáveis. Entretanto, sua identificação estatística não implica necessariamente a existência de uma entidade causal subjacente independente.349
37.2.2 O que é análise fatorial confirmatória (CFA)?
A análise fatorial confirmatória é o método usado na SEM para estimar variáveis latentes com base em conhecimento teórico prévio sobre seus indicadores.348
Diferentemente da análise fatorial exploratória, a CFA exige especificação prévia das relações entre construto e indicadores.348
37.3 Aplicações avançadas
37.3.1 O que é modelo de curva de crescimento latente (LGC)?
O modelo de curva de crescimento latente é uma extensão da SEM usada para analisar dados longitudinais, modelando trajetórias de crescimento ao longo do tempo.348
O modelo LGC permite estimar inclinações e interceptos como variáveis latentes representando mudanças temporais.348
37.3.2 O que é SEM Bayesiana?
A SEM Bayesiana (BSEM) incorpora distribuições a priori e atualiza parâmetros por meio de inferência Bayesiana, sendo particularmente útil em amostras pequenas.348
Sua avaliação de modelo baseia-se em comparação Bayesiana e verificação preditiva posterior, em vez de índices clássicos como \(\chi^2\) ou RMSEA.348
37.3.3 O que é PLS-SEM?
A PLS-SEM (Partial Least Squares SEM) é uma abordagem orientada à maximização da variância explicada, adequada quando há pouca fundamentação teórica ou amostras pequenas.348
A PLS-SEM não exige normalidade multivariada nem grandes tamanhos amostrais.348
37.3.4 O que caracteriza a PLS-SEM dentro da família da SEM?
A PLS-SEM é uma abordagem de modelagem estrutural orientada à predição, cujo objetivo principal é maximizar a variância explicada das variáveis dependentes.350
Diferentemente da SEM baseada em covariância (CB-SEM), que tem foco confirmatório, a PLS-SEM é classificada como uma técnica causal-preditiva.350
A distinção entre modelos orientados à confirmação estrutural (CB-SEM) e modelos orientados à predição (PLS-SEM) dialoga com críticas recentes que defendem maior ênfase na utilidade preditiva em vez da busca exclusiva por estrutura latente pura.349
37.3.5 Quando a PLS-SEM deve ser considerada?
Quando o objetivo do estudo é predição e identificação de construtos com maior impacto explicativo.350
Em contextos com modelos complexos, múltiplos construtos e interesse em maximizar \(R^2\).350
Em pesquisas com fundamentação teórica ainda em consolidação.350
Em situações de amostras moderadas ou pequenas, desde que respeitadas recomendações mínimas de poder estatístico.350
37.4 Ajuste e avaliação do modelo
37.4.1 Quais são os principais índices de ajuste em SEM?
O teste qui-quadrado \(\chi^2\) avalia discrepância entre matriz observada e matriz reproduzida pelo modelo.348
RMSEA e SRMR medem erro de aproximação, sendo valores baixos indicativos de melhor ajuste.348
CFI e TLI avaliam ajuste comparativo, sendo valores próximos de 0,95 considerados desejáveis.348
AIC e BIC são usados para comparação entre modelos concorrentes.348
Índices globais de ajuste, embora úteis, não garantem validade teórica nem utilidade prática do modelo. Ajustes elevados podem refletir adequação matemática sem necessariamente traduzir relevância funcional.349
37.5 Problemas comuns na aplicação de SEM
37.5.1 Quais são problemas frequentes na aplicação de SEM?
Falta de justificativa teórica para relações causais especificadas.348
Ausência de explicação adequada das variáveis latentes.348
Não relato de coeficientes, erros padrão ou valores de \(R^2\).348
Falta de justificativa do tamanho amostral.348
Ausência de validação do modelo.348
37.5.2 Por que a especificação do modelo é crítica em SEM?
Porque relações causais devem ser fundamentadas teoricamente, incluindo imposição explícita de coeficientes nulos ou covariâncias nulas quando apropriado.348
A inclusão de covariâncias não justificadas pode artificialmente melhorar índices de ajuste sem suporte teórico.348
Ferreira, Arthur de Sá. Ciência com R: Perguntas e respostas para pesquisadores e analistas de dados. Rio de Janeiro: 1a edição,
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